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Museu Arqueológico e das Culturas Indígenas de Itacoatiara













É fascinante ver como o Museu Arqueológico e de Culturas Indígenas de Itacoatiara atua como uma ponte entre dois mundos: o passado milenar das civilizações pré-colombianas e a memória social da antiga Vila de Serpa.

Para quem estuda ou aprecia a história da Amazônia, esse tipo de acervo é uma verdadeira cápsula do tempo. Aqui estão alguns pontos que tornam esse espaço especialmente relevante onde a arte e a história cultural do povo itacoatiarense se revela:

O Valor do Acervo

  • Arqueologia Viva: A presença de cerâmicas inteiras e fragmentos elaboradas com notável acabamento artístico, tanto escultural e pictórico, que indica a riqueza das tradições oleiras da região, possivelmente ligadas a fases como a Guarita ou a tradição Polícroma da Amazônia, conhecidas pela sofisticação técnica. 

  • Transição Histórica: Ao unir achados arqueológicos com objetos do cotidiano da antiga Vila de Serpa, o museu narra a evolução da ocupação humana no Rio Amazonas, desde os povos originários até a colonização.

Localização e Acesso

O fato de funcionar no palacete da Academia Itacoatiarense de Letras (AIL) agrega um valor simbólico enorme, unindo a produção intelectual atual com a preservação do patrimônio histórico.

É admirável ver que o museu não se limita ao passado arqueológico, mas abraça a arte contemporânea indígena. Isso combate o estereótipo de que essas culturas estão "congeladas no tempo", mostrando que elas continuam produzindo e influenciando a sociedade atual.

Os Pilares da Nova Missão

  • Patrimônio Imaterial: Além dos potes e cerâmicas, o foco agora inclui saberes, línguas, ritos e tradições que não podem ser "tocados", mas que são a alma dos povos originários.

  • Sustentabilidade e Direitos: O museu deixa de ser apenas um lugar de contemplação para se tornar uma ferramenta de defesa dos direitos indígenas e de reflexão sobre a nossa relação com o meio ambiente.

  • Protagonismo: Ao mencionar o bem-estar dos povos indígenas, o museu reconhece que essas comunidades não são apenas o "objeto de estudo", mas os verdadeiros donos e narradores de sua própria história.


Estrutura de Missão e Visão

CategoriaDescrição
Missão

Preservar e comunicar o patrimônio material e imaterial indígena, promovendo educação e sustentabilidade.
Público-AlvoEstudantes, pesquisadores, turistas e as próprias comunidades indígenas da região.
DiferencialIntegração entre achados pré-colombianos e a expressão artística indígena contemporânea.

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Esta peça é um exemplar histórico fascinante de uma garrafa de grés (conhecida em inglês como stoneware bottle), muito comum entre o século XIX e o início do XX.

Aqui estão os detalhes principais sobre ela:

Características Físicas

  • Material: Produzida em cerâmica de grés, um material extremamente denso, resistente e impermeável, obtido através da queima em altíssimas temperaturas.

  • Formato: Possui um corpo cilíndrico alto e estreito, com ombros levemente arredondados que levam a um gargalo curto com acabamento em anel (lábio), projetado para ser selado com uma rolha de cortiça.

  • Alça: Apresenta uma pequena alça lateral (asa) na parte superior, típica de recipientes usados para líquidos que precisavam ser transportados ou servidos com precisão.

  • Acabamento: A textura é levemente rugosa com um brilho vitrificado (geralmente salino), apresentando variações de cor que vão do bege ao marrom-claro, com marcas de oxidação e desgaste natural do tempo.

Uso Histórico

Essas garrafas eram amplamente utilizadas para armazenar e comercializar:

  1. Bebidas fermentadas: Principalmente cerveja de gengibre (ginger beer), cervejas artesanais e sidras.

  2. Destilados: Genebra (gin holandês) ou uísque.

  3. Líquidos de uso doméstico: Como óleos, vinagres ou até tintas.

Contexto de Conservação

A peça apresenta pátina do tempo, com pequenas manchas e incrustações que indicam que ela foi recuperada no sítio arqueológico do litoral da cidade de Itacoatiara, na construção do passeio público da orla da cidade, é resultante de descarte histórico e foi mantida em condições de umidade por muito tempo. É um item de colecionismo muito valorizado por historiadores e entusiastas de antiguidades industriais.

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Esta peça é uma garrafa de vidro antiga, possivelmente do final do século XIX ou início do século XX. O vidro tem uma tonalidade verde-água, que é característica de vidros produzidos com areia rica em ferro, comum em muitas garrafas dessa época.

A garrafa possui um formato cilíndrico e alongado, com um gargalo estreito e um bocal arredondado. O fundo é côncavo, o que ajudava a dar estabilidade à garrafa e também facilitava o empilhamento.

Nas fotos, é possível ver as palavras "ROSS" e "BELFAST" em relevo no vidro. A "Ross" era uma marca famosa de bebidas gaseificadas e águas minerais de Belfast, na Irlanda do Norte. A presença dessa marca sugere que a garrafa era usada para armazenar esse tipo de bebida.

A garrafa apresenta algumas imperfeições, como pequenas bolhas de ar no vidro e algumas marcas de desgaste. Isso é comum em garrafas antigas e não diminui o seu valor histórico ou estético. Pelo contrário, essas marcas dão à garrafa um caráter único e contam um pouco da sua história.

Esta garrafa é um exemplo interessante da história da produção de vidro e da indústria de bebidas. É uma peça que pode ser apreciada tanto pela sua beleza quanto pela sua importância histórica.

A peça foi encontrada em 2023, soterrada no litoral da comunidade São Pedro do Iracema, na margem esquerda do Rio Amazonas, rio acima de Itacoatiara, com evidência de que achado foi resultante de descarte após consumo da bebida.

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Nota: Museus localizados em centros de letras costumam ser excelentes fontes de pesquisa acadêmica, justamente pelo livre acesso mencionado e pela proximidade com guardiões da história local.