ORIGEM DE ITACOATIARA
ALMEIDA DE OLIVEIRA, Edmilson
Num belo certo dia o rio Amazonas
Uma rústica embarcação o subia.
Era Xavier Furtado quem comandava
Aquela tropa de homens
Que o Amazonas desbravava.
Aqui, ali, acolá,
Eles ancoravam e saíam a caçar,
Até que num porto em que nada havia,
Um forte homem foi morto.
E lá ficaram mais que um dia.
Enfurecido e, também entristecido
Com o desgosto que a natureza lhe trouxera,
Como que se as pedras fossem de fisalita,
Xavier Furtado curiosamente as fita e,
Numa delas, faz a pronúncia: “ITA”.
Isso o impressionou:
“Tê-la-á gravado a Natureza
Ou aqueles que procuramos falam de fortaleza?
Isto é impactante!
Decidam, pois, agora, qual dos dois é importante:
Aqui ficarmos ou irmos jornada avante?”
E estavam em meditação
Quando exclamou Xavier Furtado:
“Ei! Olhem! O lugar parece ser brio,
Vejam no toco daquela árvore
Um animal que mostra ter frio,
Vamos buscá-lo vivo, e não
O façamos de caça”.
— “Não! Parem” — vociferou um esbelto caboclo —
— “Ele é bravo e se chama COATI.”
— “Coati?”
— “Sim, eu conheço”.
— “Ah! Vejam!” — exclamou o general.
— “O quê? O quê?” — interrogam-no os demais.
O general ficou atônito,
Pois vira, assim confessou,
A imagem perfeita de uma
Mulher robusta, em silhueta.
Novamente o caboclo se intromete e diz:
— “Imaginariamente, não sei se o senhor pressente
Que o lugar aqui está pra gente.
Sobre o que o líder fantasiou
Nossa história nos contou:
‘No Amazonas existe a lenda da IARA.’”
A curiosidade desperta-os mais e mais.
Dilucidou um deles:
“Aqui, o lugar não é idílico!
É selvagem até demais,
Prove, senhor general, ser capaz de
Descobrir o que a Natureza faz.”
Todos pasmaram-se!
O silêncio, repentinamente,
Aquele lugar dominou,
Quando, inesperadamente,
Um grupo de silvícolas ali chegou.
Em gesticulação Xavier Furtado
À sua tropa transmitia:
“Não falem, não!
Estamos passando perigo
Com os homens da região,
Apesar de serem amigos
De quem está em embarcação.”
Cheio de horror, não querendo abandonar
O lugar que o maravilhou,
O caudilho a embarcação desatracou e,
Após deixar a mensagem do que seria capaz,
Se foi para nunca mais:
“Pedro é fortaleza!
Animal é riqueza!
Silhueta de mulher o rio embeleza!
Vou descobrir, vibrante cabo-de-guerra,
Do que a Natureza é capaz:
Até nome de lugar é ela que nos dá.
Se não crê no que digo,
Ouça o que vou pronunciar:
Naquele porto há ITA, pedra;
Naquela mata há COATI, animal;
Naquele rio há IARA, silhueta de mulher.
Preste atenção para esta justaposição:
ITA-COATI-IARA foi o nome que DEUS deu
Ao lugar onde um de nós morreu.”
O chefe militar, mudando o semblante,
Admirado disse ao marujo:
“Amigo, quando chegarmos lá
Não vá dizer que vimos
A ITA, o COATI, a IARA,
Mas, sim, que DEUS nos fez
Descobrirmos o lugar
ITACOATIARA.”
Poema escrito em 19/04/1974, por Edmilson Almeida, por ocasião dos festejos do Centenário de Itacoatiara; declamado em 25/04/1974, na Praça de Herculano de Castro e Costa, sob aplausos da plateia, que permaneceu em pé por aproximadamente 5 minutos.

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